Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Extracto de Vida II

 

 
 
 
Conheci-o, e nada tinha de agradável, grosseiro, rude, dono de um corpo invejável, curtido pelo sol, pelos cavalos, pelo trabalho duro que - soube depois - fazia desde criança.
Foi difícil chegarmos à fala, não porque estivesse a fazer-me de difícil, mas porque tinha 14 anos e ele 21, um homem pelos padrões da época.
Um dia aconteceu, trocámos umas palavras, atrás dessas, outras e outras e a experiência de alguém de 21 anos pode ser fascinante para uma mulher menina como eu.
 
Aquele corpo atraia-me, com uns músculos bem definidos, uma cintura pequena, umas pernas musculadas, não foi longa a espera, certo dia, quando me acompanhava da escola até ao autocarro, conduziu-me para um prédio em obras e, recolhidos dos olhares indiscretos, contra uma parede de tijolo e cimento, consumámos o que os nossos corpos já gritavam e, novamente, o meu cérebro frio:
- “ Só isto?”
A dedicação, a descoberta, a falta de barreiras, aquele corpo musculado, o abraço protector, tudo contribuiu para que aquele, e outros momentos, de sexo rápido e pouco satisfatório, fossem uma pequena parte de um todo muito reconfortante.
 
Casei-me, casei-me perdida de amor, capaz de tudo por amor, vivi feliz para sempre -. Durante 5 anos.
Aos 24 anos, sexualmente madura, um corpo arredondado pela gravidez precoce, pelo sexo rotineiro, era também insegura da minha capacidade de gerar desejo. Algumas vezes em que o desejava adivinhar nos olhos de homens que comigo se cruzavam na rua, por colegas de trabalho, era sempre afastada a suspeita por um pensamento de:
- “Não sejas pretensiosa”
 
Era constantemente publicitada a minha capacidade, inesgotável segundo ele, de provocar prazer e excitação, isto era dito em qualquer lugar e a qualquer pessoa pelo meu, então, marido.
Inevitavelmente aconteceu, alguém, um colega de trabalho, pensou que eu estava pronta para ser colhida, insinuou-se e, com alguma inocência tornou-se visita de casa.
 
Numa tarde de Verão, estamos os quatro na sala, o colega e a mulher, eu e o marido, depois de um filme e de umas bebidas e de muita conversa provocante começámos lentamente a tirar a roupa, e, quando dei por isso, os gemidos e os suspiros misturavam-se lado a lado, fazíamos sexo olhando uns para os outros.
Foi um violento despertar da libido, nunca nada semelhante me tinha cruzado a mente, o desejo era quase animal, os grunhidos de prazer culminaram em gritos, quase em simultâneo para os quatro.
O prazer em estado puro, a excitação de puro gozo, quando poderemos repetir?
 
Surpresa, no dia seguinte, não se falava no assunto, atribuíram o que se passou à bebida em excesso.
 - “Mas eu não bebi” – pensei – “foram só vocês.”
Ninguém quis repetir, só eu para minha grande frustração.
O colega que tanto se tinha insinuado tremia de antecipação, mas não se avizinhava uma possibilidade, mesmo que remota…………então combinámos; porque não só os dois?
 
Numa tarde de sábado, fugimos de tudo e de todos e alugamos um quarto, seria agora que eu sentiria a mesma excitação? – Pensei.
Entrámos no quarto… nunca tinha sentido ninguém tremer tanto ao meu toque.
- “Que excitante” – pensei.
Tirámos a roupa um ao outro, toques a medo, toques de exploração, toques de excitação, nunca tinha acariciado um membro circuncisado, pelo que explorei até saciar a curiosidade… mas sem resposta… de tanto medo, de tanta antecipação, o meu novo parceiro, teve aquilo que foi o meu primeiro “não”.
Não sabia como agir, por mais que tentasse, acariciasse, beijasse, ele não conseguia uma erecção que permitisse uma penetração.
Não existe nada mais ridículo que um homem, desesperado por conseguir uma erecção, e sem aceitar a recusa do seu membro. A determinada altura comecei a sentir medo, medo de estar fechada num quarto com um desconhecido, e por sentir a sua frustração que crescia de minuto a minuto, ao contrário “de tudo o resto”.
O meu receio aumentava e comecei a pedir para irmos embora:
– Podemos, ir beber um café - pedi - não temos que fazer sexo, teremos outras oportunidades.
Saímos do quarto uma hora depois, frustrados, envergonhados e insatisfeitos.
E não tivemos novas oportunidades.
 
Autora: O Silêncio

publicado por Fecho Aberto às 17:24
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9 comentários:
De Nuno Martins a 18 de Junho de 2008 às 19:14
Olá...
Vi o comentário que deixaste no meu blog e não resisti a visitar-te. Gostei bastante deste texto e quase como levado pelo magnetismo que das tuas palavras exaltam, percorri todo este espaço de cima abaixo. Acho que ganhei bastante do meu tempo e de todo o tempo que por aqui andei. Peço-te que continues.
Um grd beijo e obrigado.


De O_Silencio a 19 de Junho de 2008 às 14:53
Agradeço o comentário, ao texto......tentarei continuar as minhas exposições. Espero que continues a visitar, a ler e a comentar.


De Fecho Aberto a 20 de Junho de 2008 às 23:19
Olá Silenciosa amiga, tenho saudades tuas, tenho saudades das tuas histórias, tenho saudades que partilhes comigo, e com os nossos amigos, os teus segredos silenciosos. Não adormeças, acorda-me para ti. Um beijo. Até amanhã.


De Fecho Aberto a 19 de Junho de 2008 às 15:10
ainda bem que O Silêncio já respondeu ao teu comentário, porque há por aqui uma troca esquisita de correspondência, o blog é meu, eu fui lá visitar-te e comentei mas, este texto, já em volume II, é da Autora O Silêncio
um abraço de até breve


De CamaReira a 30 de Agosto de 2008 às 23:41
Louco, excitante, excelente. A vontade de devorar este conto é inexplicavel. A busca incessante do prazer é explicito, continuas nessa busca? :)
Sim eu sim, sinto... Sempre!

Beijos Ardentes


De o_silencio a 1 de Setembro de 2008 às 13:57
Como interromper a "busca do prazer"? Se cada gesto, cada querer nos leva na mesma direcção?

Obrigado por estares aí


De CamaReira a 1 de Setembro de 2008 às 23:24
Não precisas agradecer. Essa busca é reciproca e a direcção vai ser a mesma, já falta pouco para o ponto em que o caminho do prazer se cruza.

Beijos


De secrets in me a 1 de Setembro de 2008 às 10:09
A cada relato teu vou ficando sem palavras para descrever o que sinto.
Por te sentires segura talvez, das as palavras um sentido de realidade delicioso.
Encontrar um bom parceiro sexual por vezes não é tarefa fácil pois existe toda uma estrutura de vida montada que não nos permite dentro da nossa sociedade actual trocar de parceiro sempre que nos apetece.
Porem sexo é tão bom que não compreendo o porquê de muitos homens / mulheres não explorarem tudo o potencial do seu companheiro. Levando anos de sexo sem sabor.

As escapadinhas por vezes têm as suas ratoeiras e as negas fazem parte.
Aceitar faz parte de um longo processo de maturação.

Parto agora em busca de mais um relato teu.

beijinho silencioso


De o_silencio a 1 de Setembro de 2008 às 14:00
A maturidade leva anos a conseguir, a aceitação do nosso lado "animal sexual" também.

Obrigado por me procurares

Beijo.............meu


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