Sábado, 28 de Junho de 2008

O desejo é fruto de um conhecimento insuficiente

Não existe nada mais estranho e espinhoso do que a relação entre pessoas que só se conhecem de vista - que diariamente, mesmo hora a hora, se encontram, se observam e que têm assim de manter, sem cumprimentos e sem palavras, a aparência de desconhecimento indiferente, devido ao rigor dos costumes ou a caprichos pessoais.

Entre elas existe inquietação e curiosidade exacerbada, a histeria da necessidade insatisfeita, anormalmente recalcada, de conhecimento e comunicação e sobretudo também uma forma de consideração tensa.

Pois o ser humano ama e respeita o outro ser humano enquanto não está em posição de o julgar e o desejo é produto de um conhecimento insuficiente.

Thomas Mann, in "Morte em Veneza"


publicado por Fecho Aberto às 17:31
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O nosso desejo aumenta com a dificuldade

Não há argumento que não tenha um contrário, diz o mais sábio partido dos filósofos.

Há pouco estava a remoer estas belas palavras que um antigo menciona sobre o menosprezo à vida: "O único bem que nos pode trazer prazer é aquele para cuja perda estamos preparados".

O sofrimento pela perda de uma coisa e pelo temor de perdê-la é o mesmo (Séneca); querendo estabelecer com isso que a fruição da vida não nos pode ser realmente agradável se estivermos a temer perdê-la.

Entretanto se poderia dizer, pelo contrário, que seguramos e abraçamos esse bem tanto mais estreitamente e com mais afeição quanto menos seguro o vemos ser-nos e quanto mais tememos que nos seja tirado.

Pois sentimos com clareza, assim como o fogo se atiça em presença do frio, que a nossa vontade também se aguça com a oposição: Se Dânae não estivesse estado presa numa torre de bronze, Júpiter nunca a teria feito mãe (Ovídio), e que não há nada naturalmente tão contrário ao nosso gosto do que a saciedade que vem da facilidade, e tampouco nada que o aguce tanto como a raridade e a dificuldade.

Em todas as coisas o prazer aumenta com o perigo que nos deveria afastar delas (Séneca).

Michel de Montaigne, in 'Ensaios'


publicado por Fecho Aberto às 17:23
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