Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

Caçadora

Diana. Esbarro com ela à saída do aeroporto, peço-lhe desculpa. Pergunta-me se não venho no avião de Estocolmo. Digo-lhe que não. Pergunta-se se é a primeira vez que estou em Londres. Digo-lhe que sim. Os nossos olhos agarram-se uns aos outros por momentos. Pergunta-me, a rir, se desejo que me sirva de cicerone e eu digo-lhe o meu nome, o hotel onde fico. Às sete em ponto telefone. Foi assim que conheci Diana, coisas de filmes. Depois ficámos duas noites e dois dias sem sair do hotel. Arrumavam o quarto quando estávamos a tomar banho, dois corpos atravessados, abatidos na banheira enorme. O room service era o melhor do mundo. Até cocaína punham à disposição em pequenos boiões de vidro opaco. Os roupões brancos eram impecavelmente dobrados. Alimentávamo-nos de morangos, groselhas e champanhe. O corpo vogava, estafado. O prazer provocado até às últimas consequências era cada vez mais árduo, mais agudo. Víamos televisão. Insistia em que lhe lesse Rilke no original, embora ela nada entendesse de alemão. Ficou desiludida quando lhe revelei que o seu nome é um pseudónimo. “Rainer Maria Rilke, o nome mais bonito do mundo, é um pseudónimo?!”, disse zangada. À despedida, dentro do elevador, confessa-me que foi ela a esbarrar comigo de propósito, que me tinha escolhido entre os passageiros que desfilavam pelos corredores sem eco do aeroporto. Que nesses dias punha maquilhagem de guerra. Que era a forma que tinha de caçar, Diana.
  
Cala a minha boca com a tua – Pedro Paixão

 


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